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Grupo Jovem – Época 1 – 1990 a 1994 – Outros Conceitos, Outros valores.

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GRUPO_JOVEM_LUMINARES

O post é longo, se não quiser ler, avance ou retroceda para o próximo.

Opinião minha. Vou dividir esse artigo em 3 épocas aqui neste post. O objetivo é conhecer as transformações e o que a Igreja espera de seus Líderes de Jovens e do Próprio Grupo Jovem.

De 1990 a 2010 houve uma revolução e um crescimento extraordinário quando o assunto é estrutura. O grupo jovem cresceu extraordinariamente e isso é incontestável. Incontestável também que quando o assunto era espiritualidade o assunto é outro.

O Senhor me chamou para trabalhar com a Juventude depois de mais de 10 anos afastado diretamente do trabalho do Força Jovem. Hoje estou no JOL, Juventude Carioca www.juventudecarioca.com.br e em seu Twitter @juventudcarioca defendo com unhas e carnes a causa do evangelho. E pra isso eu tenho que me reciclar, mudar ou encostar meus conceitos e valores. Estou aprendendo muito com isso.

Vim de um grupo jovem altamente espiritual e separado. Por favor, não se zangue com que vou escrever. A igreja era outra, os jovens eram outros, outros conceitos, outros valores. Não se usava saia curta ou se seguia todas as tendências da juventude, como corte de cabelo moicano ou calça capri e centropê. Não se falava de outro assunto a não ser a Obra de Deus. NENHUM OUTRO. NADA DE CONVERSAR SOBRE O FIM DA NOVELA DAS 8H.

Minha igreja era de banco de madeira envernizado pelo grupo jovem é claro. Não existia ar group health pharmacy condicionado, mas umas aberturas nas lateral da igreja e alguns ventiladores barulhentos (ventisilva). Não existia nem aquele espetáculo de som que existem em diversas igrejas com aquelas caixas penduradas no teto da igreja.

Imagine uma igreja na região de Bangu (Rio de Janeiro)onde faz 40°C no verão? Tem idéia de como era o culto?

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Entre os jovens, não se conversava em ir a um show de pagode ou confessar desejos de colocar piercing no umbigo, sabendo que a blusa do uniforme de obreira tamparia. Outros conceitos, outros valores…

Quando um jovem era orientado não existia esse lance de “não tem nada haver” como o jovem tem hoje coragem de responder na cara… não… Ir a uma festa de casamento casamento e dançar músicas seculares, rock, roberto carlos? tá amarrado, poderia ser tirado direto da Obra, na hora! O mundo não entrava com facilidade… Não existia o Gospel e era considerando endemoniado um jovem convertido com mais de um ano ouvir em seu walkman uma fita cassete do legião urbana.

Pra se ter uma idéia, eu estava conversando com uma Obreira e ela estava fazendo uma poesia romântica e eu entrei na poesia e falei a seguinte frase – … e o meu corpo no seu… Diante de Deus… não pensei em sexo ou disse algo com conotação sexual, apenas falei um texto que rimou com a última frase. Bem, a Obreira no mesmo dia avisou o Líder dos Jovens e eu fui afastado do Grupo Jovem… isso aconteceu no meu primeiro ano de Grupo Jovem. Tem idéia de como eu fiquei?

Meu Grupo Jovem tinha o nome de Luminares. Reuníamos ao sábados e domingo das 13 às 18 ou 22h. Esse horário era um contraste e um tremendo sacrifício. Imagine sacrificar quase todo o sábado e domingo pelo amor a Obra de Deus? Será que esse conceito daria certo hoje? acredito que não. Sei que os jovens hoje reclamaram quando a pouco tempo a reunião de Grupo Jovem foi para o Sábado a invés do domingo.

A leitura da Bíblia era sagrada. Todos os tipos de orientações de como ser um homem e mulher de Deus. Ensaio para cantar no domingo aos sábados. Era padrão cantar na igreja. Um dos motivos que me motivou a querer conhecer aquele grupo jovem que vi cantar num domingo às 20h no ano de 1988. Nosso Deus é soberano… aquela banda… me lembro como hoje… bateria, teclado, guitarra …

Durante a semana existia evangelização todos os dias. Como existia 2 cultos a noite, então assistíamos o culto das 18h e evangelizávamos às 20h ou vice-versa.

Existiam 7 equipes de evangelização semanal, com livro de trabalho, um relatório diário de todo o trabalho do grupo jovem. O livro era passado de Líder para Líder de evangelização. Assim no fim de semana era possível saber o que o grupo jovem fazia.

Às vezes estávamos como num quartel. Nosso líder era militar e formávamos, falávamos e nos comportávamos como militar. FORMA FORMA!! TESTA POR 2!! A FILA VAI FICAR MUITO GRANDE, ENTÃO TESTA POR 3… AINDA TÁ GRANDE, TESTA POR 4…. AÊ!!! ONDE ESTÁ O PESSOAL DO SOM? NÃO ESQUECE O CABO PP, NÃO ESQUECE O CABO PP. VOMBORA!! E íamos marchando para uma praça com os instrumentos a mão (guitarra, bateria entre outros) andando cerca de 1km até a praça mais próxima.

Até o fim da ditatura militar, para ir a uma praça e instalar os instrumentos, tínhamos que fazer um ofício a Região Administrativa (Fórum) e perdir autorização pra usar a praça e ainda pedir a light para fazer a ligação e ainda pagar pela luz utilizada num boleto de cobrança de luz batido na máquina de escrever e pago em um banco. Tu tem idéia do que é isso ôÔÔô pessoal que gosta de pirataria?

Não tínhamos muito dinheiro sabe. Tinha pouco tempo que tinha terminado a ditadura e não existia gráficas rápidas como temos hoje em toda a esquina onde pode-se fazer um convite para um fim de semana. Mas, tínhamos muitos jovens que trabalhavam… claro, sem acesso a educação como hoje, restava a eles trabalhar. Mas trabalhar tinha aquele lado bom. Se precisávamos de dinheiro pra algum evento, sempre tínhamos em caixa. O grupo jovem podia pedir oferta.

Nosso cartazes eram feito em cartolina com letras de formas vazadas, letreiros em murim e tinta de parede. É… entra no google e pesquise imagens com a palavra cartaz…Verá a diferença da tecnologia… Eu ainda fazia curso de datilografia e hoje o jovem fuça o orkut.

Os anos se passaram, a Obra crescendo, principalmente depois da prisão do Bispo Macedo em 1992… Eu acreditava naquela época que a direção da IURD nos ignorava e que o Grupo Jovem fazia tudo na igreja e os Obreiros não faziam nada (é verdade)… mas na época eu não podia dizer isso. Eu profetizava uma reunião no maracanã com toda juventude… Eu sonhava.

Como o Grupo Jovem não era centralizado, existia algumas reuniões no ex-terreno da telerj no Rio de Janeiro com todas as regiões e ficávamos sabendo da reunião através da Rádio Copacabana 680 AM. Todo o Sábado pela manhã eu ouvia a Rádio pra ouvir recados para Obreiros e Grupo Jovem…

É gente, não existia internet, telefone celular, rádio nextel para se falar com alguém. Para dar um recado urgente, pegávamos um jovem maduro (expressão da época) e mandava ele dar recado as igrejas onde ele sabia onde ficava, já que nem todas as igrejas tinham telefone fixo que custava o preço de uma casa.

Outra função do jovem maduro era levar algumas moças que moravam longe da igreja. Às vezes eu sofria em ter que levar algumas moças a 2km da igreja. É, não existia mototaxi e quanto menos van. Era a pé mesmo.

Até que um dia surgiu o Grupo Jovem Nova Geração, que tinha um logotipo idêntico a camisa que estou usando abaixo.

novageracao

Depois conto sobre a transição da primeira pra segunda época.

Eu era feliz e não sabia.

Obr. Alexandre Fernandes
IURD Padre Miguel

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